quarta-feira, 29 de maio de 2013

Temos o direito de interferir na escolha dos amigos de nossos filhos?


Tem uma expressão da qual eu gosto muito, que se diz quando se acaba de conhecer alguém com quem a empatia é imediata: “Esse é o meu mais novo amigo de infância”. Quer dizer que a energia entre as duas pessoas é tão boa que vai durar ou a gente espera que dure a vida toda.

Pois a Ana Bia, do alto dos seus 8 anos, tem o privilégio de possuir amizades duradouras. Pessoinhas que, como ela, não esquecem os bons momentos passados juntas. Muito pelo contrário, cultivam as lembranças e quando têm oportunidade correm uma para os braços da outra, como a Chloe e a Malu, duas queridas que ela conhece desde pequenina e que reencontrou no Rio de Janeiro, onde passamos o fim de semana. Foi uma alegria só!

A Chloe é filha de um casal de amigos meus, amicíssimos. Já a Malu foi colega desde a creche e acabei me tornando amiga da mãe dela, a Isa. Graças à ligação entre nós, mães, as filhas continuam interagindo, mesmo separadas por centenas de quilômetros, morando em cidades diferentes. Infelizmente, no dia a dia corrido a gente esquece ou não dá muito atenção ao fato de que mais importante do que ter amigos é ter bons amigos. Deveríamos estar sempre antenados para esse detalhe.

Crianças saudáveis, positivas, que riem, divertem-se, sabem dar e receber, que aprenderam a discernir o certo do errado, pois foram educadas por pessoas de bem, podem até brigar de vez em quando, mas carregam em si boas intenções. Já aquelas problemáticas ou maquiavélicas ou mesmo invejosas, sem limites, carentes de atenção e educação, que não foram bem orientadas pelos seus responsáveis ou estão abandonadas à própria sorte, criadas por babás e afins como muitas nesses tempos modernos, estas vão descontar a raiva e o desamor que sentem em outras crianças. E uma delas pode ser seu filhote.

Não acho certo uma mãe escolher as amizades do filho, pois um adulto carrega em si preconceitos que pode jogar sobre os ombros da criança e esta, em princípio inocente e pura, pode reproduzi-los inadvertidamente. Sou a favor de que a Bia explore esse campo livremente e tenha contato com todos os tipos de crianças, das mais variadas personalidades, credos, raças, classes sociais e, a partir de como se sente, escolha para ter por perto aquelas que lhe fazem feliz. Mas confesso que às vezes é difícil não interferir.

Jamais achei que, como mãe, eu me pegaria dizendo coisas como “É melhor você se afastar da Fulana, ela não é uma boa amiga”, como muitas vezes ouvi da minha própria mãe e achava um preconceito absurdo. Mas a Bia tem sofrido bullying horríveis na escola (que vou dividir aqui com vocês em outro texto) e procuro orientá-la para que repense em suas amizades ou, pelo menos, se afaste de quem a maltrata. E valorize quem a trata bem.

 
Amigos são a melhor parte da infância. Com eles aprendemos a dividir os brinquedos, exercitamos a humildade ao perder no jogo e a vontade de lutar para vencer na próxima vez, a respeitar as regras estabelecidas pelo grupo, a cooperar pelo bem de todos, a pensar no coletivo, a praticar a capacidade de amar e sermos amados. São os amigos que vão nos ajudar a lenta transformação do que seremos no futuro.

É fato que brincar é tão importante para a criança quanto trabalhar é para o adulto. As brincadeiras são a estrada para a evolução. Por isso, se tento não interferir nos desafetos para que a Bia aprenda a administrá-los, por outro lado dou aquela forcinha para que ela conviva com crianças do bem. Meninas como a Malu e a Chloé, que mesmo distantes, alimentam o coração da Bia com muito, muito amor.

E você, o que acha dos pais interferirem na escolha das amizades dos filhos?

FONTE :  Blog da Mariana

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